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VII CICLO DE CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS ECATI – MCB

Do impulso arquivial

Existe uma singular família semântica que liga subterraneamente arquivo, arquitetura, autarquia, anarquia, centrada na palavra arché sobre a qual nos informa Derrida que “nomeia simultaneamente o começo e o comando”. O começo em que se funda o existente, quer físico quer histórico, e a lei que ordena o real, que o estabiliza e delimita. Este ponto de vista, toda a permanência teria uma natureza arquivial, constituindo uma espécie de “memória objectiva” (Simmel). Não haveria história sem esse arquivo geral que esteve sempre em acto, inconscientemente, mas que na modernidade emerge decisivamente, descrito por Hegel como uma imensa “galeria de imagens”, que se confunde com a própria substância do mundo.

É certo que, na sua face visível, o arquivo tem de ser territorial, armazenando e classificando uma infinidade de objectos e registos, colocando-os à disposição. Arquivos nacionais, museus, coleções, coleções do Instagram ou o Youtube, as procuras da Google, as fotografias debotadas nos aparadores antigos, os bits que esperam ganhar imagem num arquivo de computador… Que todos sejamos colecionadores, que existam arquivos particulares ao lado dos arquivos nacionais, museus de todo o tipo, não diz que estejam separados, são antes o aparelhamento técnico do arquivo geral.