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[CONVITE] Instalação: A Voz Humana

[CONVITE] Instalação: A Voz Humana Um projecto de Raquel Castro e Carlos Pimenta a partir do espectáculo do Ensemble “A Voz Humana” de Jean Cocteau, prolonga-se até Domingo, 5 de Março.

O Finissage da mesma irá decorrer dia 4 de Março às 18H, em conversa com José Bragança de Miranda sobre o tema.

Localização: Galeria Graça Brandão || Rua dos Caetanos, 26 Bairro Alto Lisboa
 

Do impulso Arquivial

18 de Janeiro, Quarta-feira, 18:00h

Auditório da Colecção Museu Berardo

 

*José Bragança de Miranda: «Anarquivo»

Mallarmé num denso texto fala de uma “tempestade na biblioteca”. A situação é clara: milhares de capas e títulos que se ladeiam, se atropelam  deslizam uns sobe os outros,  e deslizam, provocando um choque. Entra em crise a velha Lei do mundo, esse arquivo perfeito de Deus, ao mesmo tempo que se constitui a nova lei do arquivo moderno, positiva, administradora, gestora. Potente, mas sem força, enquanto que a antiga tinha força mas era ou foi impotente, historicamente. O que se revela na época actual é uma nova capacidade anarquivística, um vazio que se joga nos silêncios e limites dos arquivo. Não se apercebe esse silêncio sem  uma atenção à tempestade que se desencadeia no seu espaço atmosférico. E, neste, sobrevêm as condições para outras formas da vida, enunciadas alusivamente na biblioteca fantástica de Foucault ou de Borges.

 

*Victor del Rio: «O arquivo: o subjectivo do meio»

Sobre a focagem de uma sobre-exploração do conceito de arquivo na reflexão filosófica contemporânea, que afecta as disciplinas criativas desde a arte contemporânea à comunicação audiovisual, faremos o enfoque, nesta apresentação, a partir de duas dimensões complementares. Por um lado, desde a perspectiva da devoração de uns meios sobre outros, sob aquilo que se denominou “condição pós-media”, uma etiqueta ainda pendente de definição. Por outro lado, desde a experiência subjectiva da acção arquivadora, como procura destinada ao fracasso do “assento registante” para os fragmentos biográficos. O objecto paradoxal desta relação será a proposta para o debate a realizar neste encontro.

 

*José Gomes Pinto: «Arquivo: uma teologia democratizada e tecnificada»

Há uma nova ordem instalada na contemporaneidade e que se prende com um problema temporal, onde o tempo cronológico não se separa do tempo histórico, onde as res gestae são concomitantes às res narratae, onde o dizer –que descreve e guarda− se não se distingue do acontecimento, do fazer-se no presente, real. O arquivo, enquanto dispositivo e enquanto princípio, dita assim uma forma absoluta e aparece como um absoluto técnico mas, e ao mesmo tempo, com um acesso hoje generalizado, aparentemente democratizante. A constituição do arquivo, por outro lado, está sempre dependente da dispositivos técnicos e estes são sempre os responsáveis pela constituição da História e todos os media da história são media de transmissão, difusão e armazenagem. Assim sendo, a constituição do arquivo hoje parece estar a assumir um papel absoluto: não permite quaisquer relações com o seu exterior. Só dentro dele as relações são possíveis e todas as relações são estabelecidas nele. Esse carácter absoluto aparece como uma nova forma de teologia que, como afirma Boris Groys, surge agora como democratizada e tecnificada. Será sobre o carácter absoluto do arquivo que lançaremos os problemas para a discussão.

VII CICLO DE CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS ECATI – MCB

Do impulso arquivial

Existe uma singular família semântica que liga subterraneamente arquivo, arquitetura, autarquia, anarquia, centrada na palavra arché sobre a qual nos informa Derrida que “nomeia simultaneamente o começo e o comando”. O começo em que se funda o existente, quer físico quer histórico, e a lei que ordena o real, que o estabiliza e delimita. Este ponto de vista, toda a permanência teria uma natureza arquivial, constituindo uma espécie de “memória objectiva” (Simmel). Não haveria história sem esse arquivo geral que esteve sempre em acto, inconscientemente, mas que na modernidade emerge decisivamente, descrito por Hegel como uma imensa “galeria de imagens”, que se confunde com a própria substância do mundo.

É certo que, na sua face visível, o arquivo tem de ser territorial, armazenando e classificando uma infinidade de objectos e registos, colocando-os à disposição. Arquivos nacionais, museus, coleções, coleções do Instagram ou o Youtube, as procuras da Google, as fotografias debotadas nos aparadores antigos, os bits que esperam ganhar imagem num arquivo de computador… Que todos sejamos colecionadores, que existam arquivos particulares ao lado dos arquivos nacionais, museus de todo o tipo, não diz que estejam separados, são antes o aparelhamento técnico do arquivo geral.