universidade lusófona

Funções da Arte: entre o belo, a inquietação e a sobrevivência da espécie

Emília Ferreira – 25 de Março

Resumo: A criação artística sempre reflectiu (espelhou e pensou sobre) os modos coevos de entender o mundo. Modelou o belo, insinuou o inferno, estimulou a imaginação. Salvou-nos e provocou-nos ao longo de milhares de anos de evolução.

Integrando e renovando a tradição, Paula Rego é um bom exemplo do que é a produção/criação de obras contemporâneas criadas sobre uma estrutura artística e cultural forte que não estabelece um programa de exclusão: como pintora/contadora de estórias, ela assume as suas fontes como pictóricas, literárias, musicais e fílmicas, recontando a tradição à luz da sua experiência pessoal e reacendendo a centelha perturbadora que tanto nos fascina.

Partindo destes exemplos, irei abordar a questão actual da comunicação em Arte. Mesmo tendo sido sempre um aspecto incontornável da sua natureza, há quem sustente que o discurso artístico não carece de qualquer objectivo além de si mesmo (sendo antes um fim em si, tal como Kant o definiu) e que só assim será desinteressado, puro e bom. Contudo, sabendo hoje que o cérebro reage de modo análogo à experiência de facto e à experiência narrativa/estética, será que essa posição é ainda sustentável?

Nota Biográfica: Emília Ferreira é Mestre e Doutorada em História da Arte Contemporânea (FCSH, UNL), com Licenciatura em Filosofia (FLL, UL). Investigadora Integrada do Instituto de História da Arte, FCSH, UNL. Integra a equipa da Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada, desde 2000. Comissária independente de exposições de artes plásticas. Membro da secção portuguesa da A.I.C.A.. Entre as suas publicações contam-se Paula Rego ou a Vertigem de Alice.

Porto: Quidnovi, ISBN, 2010; Mily Possoz: uma artista de fusão, in “Mulheres Pintoras em Portugal: de Josefa d’Óbidos a Paula Rego”, Coord. de Raquel Henriques da Silva e Sandra Leandro, Lisboa, Esfera do Caos Editores, 2013. Co-autora dos 10 volumes de Arte Moderna e Contemporânea, A Minha Primeira Colecção (Bela e o Monstro, DN/JN, 2014).

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