universidade lusófona

Rotas em colisão? Reconstruindo gestos de combate político num mundo globalizado

Cláudia Álvares – 18 de Junho

Resumo: Procura-se aqui reflectir sobre o tropo visual do ‘punho cerrado’, recorrente num imaginário de combate político de esquerda na modernidade ocidental, interpretando-o de uma forma não-linear e fragmentada, tal como Walter Benjamin ou Aby Warburg recomendariam. Ao declarar que o ‘historicismo’ se contenta ‘em estabelecer um laço causal entre os diversos momentos da história’ (1940: 169), Benjamin propõe uma concepção de temporalidade não linear que privilegia o instante e o fragmento.

O ‘instante’, tomando a forma de uma única imagem, faz implodir o ‘tempo homogéneo e vazio’, perfurando as múltiplas camadas da história de modo a revelar a temporalidade messiânica (1940: 169), que no fundo não é mais do que uma não temporalidade, uma presença eterna exterior à lógica racional do tempo. Warburg, por sua vez, ambicionava distanciar-se da história de arte enquanto narrativa de progresso estético, centrando-se antes na dimensão antropológica do ‘sintoma’, ou movimento, dos objectos (Didi-Huberman 2007:15), tendo como objectivo o de traçar, no seu último projecto, Mnemosyne (1923), correspondências gestuais entre ‘reproduções de obras de arte, manuscritos, fotografia recortadas de jornais ou tiradas por si próprio’ (Agamben, 2009: 28).

Procurar-se-á então traçar o movimento de objectos em que aparece o punho cerrado através de diversos contextos temporais e espaciais sociais e geográficos, invocando a tradição cultural da iconologia, semiótica e estudos de género. O objectivo último será o de abalar a familiaridade e memória colectiva particular associadas ao tropo do ‘punho cerrado’, desconstruindo a sua identidade reconhecível ao enfatizar a especificidade dos topoi, lugares-comuns discursivos, que condicionam a sua leitura.

Nota Biográfica: Cláudia Álvares foi eleita president da European Communication Research and Education Association (ECREA) em Outubro de 2012. No âmbito da iniciativa da Fundação Europeia para a Ciência (ESF) intitulada ‘Forward Look in Media Studies’, concentrou-se no tema da participação política, o que conduziu ao artigo da Revista Javnost denominado ‘Political Participation in an Age of Mediatization: Toward a New Research Agenda’ (em co-autoria, 2013).

Entre as suas publicações, encontram-se os seguintes livros: Media in Europe: New Questions for Research and Policy (co-autoria, 2014), Gendered Transformations: Theory and Practices on Gender and Media (organização conjunta, 2010), Teorias e Práticas dos Media: Situando o Local no Global (organização conjunta, 2010), Representing Culture: Essays on Identity, Visuality and Technology (organização individual, 2008), Humanism after Colonialism (autoria individual, 2006).

Investigadora principal, em anos recentes, de três projectos de investigação financiados pela Fundação Portuguesa para a Ciência e Tecnologia, tem regularmente integrado os painéis quer da Agência Portuguesa para a Avaliação do Ensino Superior (A3Es), desde 2013, quer os do European Research Council (ERC) Starting Grant Calls in the Social Sciences and the Humanities, desde 2014. Cláudia Álvares doutorou-se pela Goldsmith’s College, University of London, sendo correntemente Professora Associada da Universidade Lusófona (Lisboa, Portugal).

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